Aranauan, Sarava, Axé a todos! Como ocorreu com todas as anteriores, a 76ª publicação do blog de Mestre Arhapiagha (Pai Rivas) me colocou em estado reflexivo: 1. As imagens do vídeo são impactantes e falam alto àqueles que possuem sensibilidade para perceber o enredo silencioso, nas entrelinhas, por trás das palavras. Há, ali, naqueles instantes diante do Congá da OICD, três "gerações" (por assim dizer): (a) a primeira, representada pelo próprio Pai Rivas, Filho Espiritual direto de Mestre Yapacani (Vô Matta); (b) a segunda, representada pelos filhos espirituais de Pai Rivas que, todavia, conheceram pessoalmente o seu "Avô de Santé"; e (c) a terceira, por todos aqueles que, não tendo conhecido o Velho Mestre, chegaram à Ordem após a publicação da "Umbanda – a Proto-Síntese Cósmica". É emocionante ver, concretamente, em cor e som, o conceito de Linhagem Espiritual, tão trabalhado na Faculdade de Teologia Umbandista, com a alcunha de "Escolas". Há, em cada Escola, uma continuidade de transmissão do Conhecimento, onde os mais novos, em contato com os mais velhos e especialmente com o Mais Velho, vão gradativamente vivenciando o Sagrado em todas as suas manifestações. Eis a Linhagem Espiritual que, considerando o marco de Mestre Yapacani, permanece viva, ativa, pulsante e, mais importante, no interior do Templo, aos Pés do Congá. Eis o enredo do vídeo em questão, eis a sua linguagem silenciosamente eloquente: somos uma Escola, que tem Raiz; que tem Mestre, que teve um Mestre, que teve um Mestre, até... 2. Também tive a oportunidade ímpar de participar, tal qual o "mano" Yabauara comentou em seu email, do referido Rito de "Toque de Ori". Como todo Rito – cuja natureza é a de traduzir, decodificar e manifestar concretamente determinadas potências espirituais – esse foi processado no interior do Templo, entre dois Filhos e um Pai. Essa é a substância genuína de todo Terreiro: a vivência concreta, real, dinâmica entre Pai e filho, entre Mestre e discípulo. É essa vivência que torna possível – e até mesmo útil – a apreensão de conceitos, postulados etc. Tristemente, porém, a Iniciação é coisa rara: no mais das vezes, há apenas "Colégios" e "Ordens" nos quais o que se busca e o que se dá (quando se dá) é apenas um "conhecimento" puramente formalizado, verbalizado, quando se trata efetivamente de algo digno do nome "conhecimento". Não é isso o que a verdadeira Iniciação busca. Não são enunciados verbais de apostilas que (ao menos supostamente) tratam de verdades abstratas e formais; é a verdade concreta – mas esquecida e silenciosa – de cada um de nós, é a Espiritualidade Universal vivente no interior de todos nós. E, para isso, é necessário um Mestre consumado, de fato e de direito, que tenha legitimidade sacerdotal para nos preparar e nos transformar interiormente, atualizando o potencial que cada um carrega... e os ensinamentos mais importantes são sempre no silêncio: o "awô" (mistério iniciáticao) não é e não pode ser transmitido pela Palavra, mas apenas pelo Silêncio do Espírito, ainda que as palavras desempenhem uma função preliminar importante para nos dar condições mínimas de acessar os "awôs". Em suma: "a palavra mata; o Espírito vivifica". Essas são as razões – dentre outras, também inexprimíveis... – que tornam tão importantes, cruciais e (por que não?) emocionantes, Ritos como foi o "Toque de Ori": diante de um Mestre consumado, de um Pai verdadeiro, ajoelhado diante do Congá (esse axis mundi que nos liga à Espiritualidade Superior), pude ouvir suas Palavras e tentar decifrar o seu Silêncio... Aliás, tocar o "Ori" significa, a rigor, tocar o espírito do discípulo, para impulsioná-lo a patamares superiores de Realidade e de Espiritualidade. Que eu possa, então, ser digno de continuar pertencendo a esta Linhagem Espiritual, verdadeira, poderosa e, sobretudo, coroada de êxitos e vitórias. Aranauan! Itarayara (Thomé Sabbag Neto) Discípulo de Mestre Arhapiagha (Pai Rivas)
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