Religiões Afro-brasileiras: Pade Olonan
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Blog voltado para exposição de idéias sobre o movimento umbandista e sua influência na sociedade.
PUBLICAÇÃO INÉDITA!
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No último sábado foi realizado mais um toque de Candomblé de Caboclo no Ile-Oka 7 Estradas. Como sempre, oportunidade de viver em comunidade de santo, em harmonia com o Orixá, repleto de Axé. Numa casa de cantos e encantos, parece-me que ficou "naturalizado" a magia reinante dos toques tanto do Candomblé quanto da Encantaria. Só que este sábado conseguiu ir além.
Antes de tudo, preciso situar minha posição. Sou um iniciante do Candomblé de Caboclo, mesmo sendo Iniciado na Umbanda Esotérica. Com o Mestre Araphiagha, ou melhor para este caso, com o Babalorixá Iwin AyoTola começamos a praticar esta religião de forma exclusiva em um único terreiro há pouco mais de 3 meses.
No Candomblé de Caboclo experenciamos o prazer, a satisfação, a alegria do transe com o Orixá e com o Ancestral. No linguajar do Santo: Ayó e Axé. Esse lugar de interface é simples e igualmente complexo. Parece-me que assim como a água é a convergência entre oxigênio e hidrogênio, o Caboclo deste culto é a convergência entre os Deuses e os Ancestrais Divinizados.
Pois bem, no centro do nosso Ile tem um Opá. É em torno dele que fazemos o Xirê, incorporamos o Caboclo, somos possuídos pelos Deuses Africanos. Especificamente no último sábado, o Caboclo 7 Estradas deu transe para Ogum e neste exato momento a magia se fez presente: o tempo parou, a casa se encheu de vida e valência de Ogum preencheu todos os espaços. Sinceramente, experienciei um transe coletivo. A força que emanava de nosso Babá ultrapassava os limites físicos do seu corpo e iluminava todos os Oris e Barás do povo de santo presente numa grande aliança com o Orixá. Não é a toa que estávamos no Ile-Oka...
Ao som dos atabaques belissimamente tocados pela curimba e os Orikis de Raiz víamos a dança do Orixá. Um deles que afirmava ser Ogum o Senhor das Arenas e que varria o campo para trazer boa sorte encheu nosso olhos de lágrimas. Ao dançar em torno do Opá, o axis mundi se deslocara. Se antes estava fixo no assentamento, agora estava vivo no Babá. O mundo não tinha mais divisão entre sagrado e profano, entre centro e periferia. O centro era móvel, era vivo e dinamizava a tudo e a todos os presentes. Esse centro tinha nome: Ogum. Esse centro bradava e dançava no meio de nós no sentindo anti-horário rememorando a Tradição.
Eis que uma folha de Mariô que estava devidamente fixada no filá do Babá, um verdadeiro capacete de Ogum, começa a se desprender. Enquanto Ele dançava, gradativamente a folha ia se deslocando... Até que caiu. Como uma "pena" dançava no ar até repousar exatamente a frente do assentamento em exatos 90º graus, parecendo que o próprio Orixá colocou lá para marcar o espaço dele. E quem disse que não foi isso mesmo?!?!
Essa cena simples, porém com uma probabilidade praticamente inexistente de acontecer, marcou minha alma. Olhei para o lado e vi Tata Macaia, meu mais velho, com os olhos marejados. Por um instante saio daquele transe coletivo e olho para mim. Já não sou mais o mesmo. Não me reconheço, reconheço o Astral, o Sagrado, a valência e o poder de Ogum expressos fidedignamente em Iwin Ayotola. Piscos os olhos e o Orixá se despede, indo em direção do Roncó sob o Alá de Oxalá.
Acabou o rito. Que nada, acaba de iniciar mais um ciclo vencedor de batalhas e da guerra. Prostro-me no chão, dou o dubalé. Saúdo meu Eledá, minha Linhagem e o propiciador de tudo isso... Axé Babá Mi!
Um dos assuntos que chamou a atenção é a relação entre Destino, Ifá e Pemba, e os 4 ícones da Iniciação (Toalha, Cruz, Estrela e Espada). Para facilitar o entendimento, gostaria de expor as reflexões de Mestre Araphiagha nesta exata ordem.
Destino. O senso comum e alguns setores do senso religioso tratam o tema do destino como a fixação do por vir. Ou seja, assim como os estóicos pensavam, entendem que o destino é fechado. Tudo que está para acontecer vai acontecer e não tem como mudar. Se isso fosse verdade, não teria sentido o Astral se manifestar no terreiro. Atender as pessoas e procurar melhoras suas vidas. Se o futuro não pode ser alterado, não teríamos mais o que fazer. Apenas aguardar...
Não, isso seria inviável. Podemos enxergar o destino como um rol de possibilidades. Cabe a nós concretizar ao máximo as boas probabilidades, aquelas que nos levam para a felicidade, a realização Espiritual e – concomitantemente – afastar os maus caminhos, que tornam nossa vida ruim.
Ifá e Pemba. No vídeo, além desta visão mais profunda de destino, Mestre Araphiagha demonstra que tanto o Ifá quanto a Pemba (sendo esta última consequência da primeira) são as bases fundamentais da Umbanda Esotérica. E ambas se relacionam diretamente com o destino. A unidade Destino se manifesta em primeira instância, segundo a doutrina de Umbanda Esotérica, com Ifá e Pemba.
Nos dizeres do próprio Mestre, Ifá e Pemba são as duas faces da mesma moeda que é o Destino. Isso foi algo que sempre esteve aparente e evidente, mas o único que pegou isso foi o Mestre Araphiagha. Não é por menos que Pai Guiné e Mestre Yapacani transmitiram a Raiz para Ele...
Por falar em transmissão, o terceiro elemento deste texto tem como base uma foto do rito de Transmissão de Raiz do fundador para o sucessor da mesma. Vejam o registro com atenção:
Os 4 ícones da Iniciação. A Coroa (Toalha Iniciática), a Cruz, a Estrela (Guia Cabalística) e a Espada são representações fundamentais da Iniciação na Umbanda Esotérica. Segundo os vaticínios do Mestre, estes ícones estão intimamente ligados e se relacionam diretamente com a Pemba e Ifá, portanto com o próprio Destino. O Iniciado nesta tradição é empoderado de elementos simbólicos que permitem fazer um bom destino. Conhecer a si mesmo e a tudo que o cerca remete a concretizar a Felicidade no Destino.
São tantos fundamentos que a alegria nos preenche a alma. Sinto-me realizado por ser discípulo de Mestre Araphiagha e aprender com Ele, ritualizando e vivenciando seus ensinamentos. E vamos dialogando!
Yabauara
Axé,
Após escrevermos em nosso face sobre certos assuntos graves, recebemos uma enxurrada de pessoas que entraram em contato para pedir ajuda. Uma pessoa completamente enfurecida lá da Serra do Japi, outras de São José do Rio Preto, Votuporanga, litoral paulista e muitos da capital também que se sentiram lesados espiritualmente pela armadilha que certos celerados, dois em especial, montaram para eles.
As histórias e mais histórias que chegaram parecem um verdadeiro balaio Uma tal de Pati que se envolveu afetivamente com um deles ou os dois mesmo , segundo a pessoa que tem provas sobre o assunto, é algo muito grave. Outra chamada Graça que fora iniciada por alguém que frequentava raramente Itacurussá. Celerados que foram procurar este mesmo homem para receber iniciação em troca de vintém... É cada uma! E olha que isso é só o início. Quanta sujeira. Lobos disfarçados em peles de cordeiros. Embora, é bom frisar, não me interessa e nem quero saber quem são essas pessoas.
Sinceramente, peço que não me procurem mais. Sempre sigo aquilo que meu Pai orienta, mas dessa vez fá-lo-ei com mais ênfase. Meu Mestre encerrou este assunto e não vai retomar. Não serei eu que darei corda para isso. Temos muito trabalho dignificante para dar continuidade.
Na parte acadêmica, estamos avaliando dezenas de comunicações do Grupo de Trabalho que a FTU montou no I Congresso Lusófono de Ciência das Religiões que se dará em Lisboa, Portugal no ano que vem. Isso sem falar do curso EaD da FTU em Umbanda Esotérica ministrada pelo próprio sucessor e detentor da raiz Mestre Araphiagha.
Na parte religiosa temos o Workshop que será conduzido pelo próprio Mestre na T.U.O. (Tenda Umbandista Oriental), templo erigido na cidade de Itanhaém que está para ser aberto ao público com um maravilhoso rito de Umbanda Esotérica. Faltam poucos dias...
Aliás, lá é o local ideal para as pessoas que buscam respostas onde nem a entidade e nem o médium dorme. Lá estamos despertos para o Espiritual. Enxergamos a realidade de forma cristalina, porque contra fatos não há argumentos. E na casa de Velho Payé e Pai Guiné tem Raiz com mais de sessenta anos de vida. Que trouxe Ifá e Pemba relacionados com o Destino para a Umbanda. E que de dentro da Raiz da Umbanda Esotérica concretizou a FTU para as Religiões Afro-brasileiras.
Ps: para maiores informações sobre a Inauguração da T.U.O., vide vídeo: