Mostrando postagens com marcador intra-religioso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador intra-religioso. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Contato Intra-religioso: o papel da Teologia Umbandista X estratégia de mercado dos "cursilhos"


Com certeza temos muito espaço para aumentar nosso contato intra-religioso. As iniciativas produzidas pela FTU, Centro de Cultura Viva das Tradições Afro-brasileiras, os 30 terreiros de todas as unidades federativas do nosso país que gravaram as vídeo-conferências, entre outras ações locais (e igualmente importantes) por pais e mães de santo são expressões viva disto. Contudo, não considero que a solução seja uma visão mercadológica da Umbanda por meio de cursos e outros instrumentos de massificação promovidos por alguns grupos.

Antes de entrar neste último item com maior profundidade, gostaria de pontuar que a FTU(Faculdade de Teologia Umbandista) é a única instituição de ensino superior credenciada e autorizada pelo MEC para ministrar o curso de bacharelado em teologia umbandista. Este curso não forma sacerdotes, mas teólogos que estarão aptos para pesquisar, discutir e produzir conhecimento que trata aspectos gerais ou particulares das Escolas Umbandistas sem privilegiar uma visão em detrimento de outra. Já faz alguns anos que a FTU também lançou cursos de extensão universitária, na modalidade presencial e à distância, onde busca congregar sacerdotes, filhos de santo, acadêmicos e interessados nas Tradições Afro-brasileiras, para dialogar vários assuntos que atendem a proposta pedagógica da FTU resumida no mote: “Educando para uma Cultura de Paz”. Lembrando que muitos alunos possuem bolsa integral de estudos e cursos de extensão universitários gratuitos serão disponibilizados este ano.

O trabalho descrito em nada se aproxima de cursos “livres” que visam formar pais e mães espirituais ou mesmo de mediunidade que desconsideram a nossa Tradição Religiosa e as características do terreiro de origem do aluno que se presta a participar do mesmo. Nada contra quem promove e, muito menos, quem cursa. A questão é massificar a visão única de um autor, deixando de lado toda rica pluralidade umbandista. Antes fosse um bom conteúdo, pois pelo menos permitiria aos alunos uma base boa (apesar de incompleta). O problema é pior, já que apresentam erros crassos da Ciência, Filosofia, Arte e até mesmo da nossa própria religião.

Não obstante, recentemente recebemos em nossa caixa de email propagandas destes cursos que receberam uma nova roupagem carregada de expressões pseudo-científicas certamente para aumentar o “ar” de credibilidade. Reconhecem com estes estratagemas que o discurso codificador impositivo não “cola” mais e copiam boas idéias como as trazidas pela FTU. Só que não basta copiar o formato, aliás um simulacro mal feito, é necessário viver sua essência. Afinal, assim são todas as atividades espirituais que buscam conduzir o Homem ao Sagrado: viver de fato aquilo que lhe é apresentado pelo Astral Superior.

Todos nós temos uma parcela de responsabilidade na forma como o nosso movimento religioso é exposto para sociedade civil. A qualidade e credibilidade destas informações serão tão maiores quantos forem os instrumentos de diálogo que utilizarmos. Encontramos nos terreiros e instituições como a FTU poderosas ferramentas de socialização do saber que nos permitem mudar esta triste situação.

Aranauan, Saravá Fraternal,
Yabauara (João Luiz Carneiro)
Discípulo de Mestre Arhapiagha (Pai Rivas)

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Como avançar no relacionamento intra-religioso umbandista?

Como poderíamos desenvolver o relacionamento intra-religioso umbandista? Acreditamos que é vivável pela interação das Escolas Umbandistas que invariavelmente são construídas pela troca salutar de experiências entre sacerdotes e sacerdotisas de diversos terreiros.


Uma prova desta interação foi o I Congresso de Umbanda do Século XXI onde Mãe Monica Varela, reconhecida sacerdotisa que preside a FEUCAMT, falou para os congressistas da importância de trocar o Poder pelo Saber. Este conceito magistral só foi possível ser ouvido, pois existia uma disposição dos dirigentes espirituais presentes em exercitar o diálogo intra-religioso. Recordo-me que após o marcante discurso de Mãe Monica Varela, Pai Rivas fez questão de registrar que a idéia trazida pela Mãe Espiritual seria eternizada nos Anais do Congresso.

Outra demonstração clara de diálogo entre Escolas foi dada por Mãe Nazareth, dirigente do Templo de Estudos e Desenvolvimento de Umbanda Iansã e Cacique Tupinambá. Em uma palestra pública no início do ano, esta importante Sacerdotisa reforçou a necessidade de cada Escola Umbandista enviar um representante, independente da condição sacerdotal, para cursar a FTU visando possibilitar que cada terreiro possua um teólogo umbandista. Desta forma, segundo Ela, existiria um canal mais eficiente entre os terreiros de Umbanda e a Sociedade Civil.

Esta idéia permite desdobramentos maravilhosos. A existência de umbandistas de diferentes terreiros aprofundaria a qualidade da FTU, uma vez que a faculdade possui uma proposta dialética entre corpo docente e discente. Além disso, reconhecemos que esta iniciativa produziria no Movimento Umbandista um avanço real no diálogo intra-reliogioso, pois fortaleceria a FTU como ponto de encontro e convergência dos diversos templos-terreiros do nosso rincão brasileiro.

Neste mesmo direcionamento destacamos a conversa entre Pai Rivas, reitor da FTU, e Pai Cássio de Ogum, presidente da FUCABRAD e vice-presidente do CONUB, onde este último afirmou para o primeiro que recomenda a faculdade porque ela possui um curso de altíssimo nível.

O diálogo intra-religioso é um meio real para a união do movimento umbandista. Os sacerdotes e sacerdotisas supracitados demonstraram como podemos avançar nesta importantíssima ferramenta. Sabemos que a faculdade está com as inscrições abertas para o II Congresso de Umbanda do Século XXI e nesta ocasião você poderá contribuir diretamente com a Umbanda por meio de uma consistente discussão nacional. Já pensou nisto? Vale a pena...

E deixa a Gira girar!