sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Curso de Extensão Universitária da Faculdade de Teologia Umbandista




Aranauan, Saravá meus amigos leitores do blogue!

Segue uma notícia alvissareira!

Curso de Extensão Universitária da Faculdade de Teologia Umbandista (telepresencial): Introdução à Teologia Umbandista - módulo I


A quem se destina: portadores ou não de curso superior. O aluno ao final do curso receberá um certificado de participação emitido pela FTU que é credenciada pelo MEC.


Início:
12 de Setembro de 2009 para residentes do Paraná e Petrópolis-RJ .
13 de setembro para residentes de Teresópolis-RJ.
17 de setembro para residentes do Rio de Janeiro (capital).
19 de setembro para residentes do Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pernambuco.


Valor do curso:
3 X R$90,00

Inscrições limitadas!!!

Maiores informações e inscrições:

extensao@ftu.edu.br

Ou diretamente com os coordenadores dos pólos regionais

Pólo Rio de Janeiro (Rio de Janeiro) - Comandante Marcos de Ogum.
templodeoxossi@uol.com.br


Pólo Teresópolis (Rio de Janeiro) -Pai Delmo
delmoferreira@gmail.com

Pólo Petrópolis (Rio de Janeiro) - Pai Pedro (Tashirenanda)
ppires@quatra.com.br

Pólo Curitiba (Paraná) - Mãe Rosangela (Yanauara)
tsabbagneto@yahoo.com.br

Pólo Belo Horizonte (Minas Gerais) - Coordenador: Sérgio
sard@gold.com.br

Pólo Porto Alegre (Rio Grande do Sul) - Pai Marcos Strey
streyma@hotmail.com.br

Pólo Olinda (Pernambuco) - Babalorixá Milton
jmiltonkosta@hotmail.com




terça-feira, 18 de agosto de 2009

Quem não se lembra da primeira vez que pisou no terreiro?

A primeira vez que entrei num terreiro nesta vida foi inesquecível. Recordo-me que na portaria ficava uma senhorazinha de tez negra muito alegre e verdadeiramente humilde que entregava uns números que eram senhas de atendimento gratuito dado pelas entidades que iriam se manifestar naquela tarde de quarta-feira.

Ao entrar no recinto vi que na assistência estavam sentadas pessoas com posses e outras com tão pouco, lado a lado, esperançosas em falar com os Guias daquela casa. Dentro da Gira, observava vários médiuns vestindo o branco, de todas as procedências, mas que dentro da corrente eram apenas mais um elo.

O pai de santo da casa chegou ao terreiro! Com muita alegria todos recepcionaram o sacerdote e aguardavam sua orientação para dar início ao rito daquele dia. Feita as orações, escutamos pontos belíssimos de Oxalá, Oxóssi, Ogum e tantos outros Orixás cultuados por aquela Escola ao cheiro do defumador que queimava alfazema, incenso e benjoim.

Após os cantos preparatórios, é chegada a grande hora. A curimba canta harmoniosamente pontos que louvam os pais e mães velhas. Baixam estes Guias e com muita dificuldade se deslocam pelo terreiro cruzando-o e batendo a cabeça no chão em frente ao Congá de Nosso Senhor Jesus Cristo. Tão logo as saudações se findam, eles caminham para os cantos do terreiro e sentam em seus tocos pitando charutos com muita calma e alegria nos olhos.

Chamava-me a atenção o pai de santo incorporado com uma preta-velho bem próximo ao Peji e como a entidade abraçava e aconselhava cada filho de santo que estava no terreiro. Devido às normas da casa, todas as pessoas que estavam visitando a casa pela primeira vez tinham que passar pelo atendimento do Guia Chefe. Logo, assim como outras pessoas que me antecederam, esperei chamar o meu número e fui beijar a mão da Vovó.

Vovó Sabina com seu pano que ficava estendido em cima da perna do pai de santo fazia todas as suas magias, as suas mirongas. Depois de uma conversa amorosa e os passes que tomei com o cachimbo da Vovó, saí do terreiro renovado e pronto para mais uma fase de minha vida que se iniciara naquele dia.

Este breve relato de um dos meus primeiros contatos com a Umbanda permitiu vivenciar a beleza e a importância da ligação íntima de um filho de fé com seu pai ou mãe espiritual. Como que eles nos ensinam a incorporar, antes de qualquer coisa, humildade, paciência, fortaleza, simplicidade, amor e pureza de sentimentos e propósitos. Só o terreiro permite respirar o Amor.

As vídeo-aulas demonstraram estas ligações de forma muito objetiva, principalmente nas edições que versaram sobre mediunidade. A Conferência de Magia Oracular, pelo que fomos informados do Centro de Cultura Viva das Tradições Afro-brasileiras, irá discutir e reforçar todo este contexto do terreiro e o fortalecimento dos seus respectivos sacerdotes.

Fica evidente que os cursos pagos e frios, por mais que possuam técnicas, estão distanciados do Espiritual, do Humano. O desenvolvimento das faculdades adormecidas do médium é uma experiência que requer a paciência e a sabedoria do dirigente espiritual do terreiro. Não existe meio de retirar este papel fundamental das nossas Escolas Umbandistas.

Vida Longa a todos os abnegados trabalhadores dos nossos terreiros que prezam compartilhar o Amor em primeiro lugar.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O terreiro e seus dirigentes possuem total condição de conduzir seus filhos de fé ao Sagrado


Cada terreiro tem sua magia. Cada terreiro possui uma forma específica de transmitir seus conhecimentos. Cada terreiro possui meios próprios de exercitar a mediunidade e formar sacerdotes, por meio dos amacis, feituras de cabeça ou outros ritos e práticas que servem para tais finalidades. Partindo destas idéias básicas e fundamentais do Movimento Umbandista, questionamos os cursos que tentam vendê-las privilegiando a visão de um grupo sobre os demais.


Será que só as pessoas que dão cursos de magia ou desenvolvimento mediúnico são capazes de trabalhar estes e outros fundamentos básicos da Umbanda?


Esqueceram-se dos humildes e honestos pais e mães de santo que, independentemente do número de filhos espirituais ou da localização do terreiro, fazem a sua magia, dão passagem para o Pai-Velho, Caboclo, Criança, Exu e tantas outras formas de apresentação. São estes mesmos senhores e senhoras ilustres que seguram na mão de seus filhos e os preparam para incorporar os Ancestrais que possuem uma ligação íntima com as suas vidas ou mesmo abrem alguns erós sobre outras modalidades mediúnicas conforme as necessidades individuais de cada um. Tudo isso em respeito às características de cada indivíduo, sem formatar médiuns padronizados em ideologias de massa.


Não meus irmãos, este conjunto de valores não é exclusivo a um grupo restrito de pessoas. O acesso ao mesmo não é feito mediante pagamento de inscrições ou leitura de apostilas. Muito pelo contrário, é dentro do terreiro que aprendemos de forma segura e objetiva a aperfeiçoar a nossa mediunidade, a magia e tantos outros elementos que nos remetem ao Sagrado.


Assim como meus outros irmãos de santé ou confrades umbandistas de outras Escolas, estamos cônscios e satisfeitos com o trabalho desenvolvido pelos nossos respectivos pais e mães de cabeça. Não precisamos de cursos fast foods que tentam colocar os bens socializáveis da Umbanda em uma linha de produção. Todos nós aprendemos e vivenciamos a Umbanda não assinando lista de presença ou cheques para pagar cursos, mas batendo a cabeça no Congá.

domingo, 2 de agosto de 2009

Como avançar no relacionamento intra-religioso umbandista?


Como poderíamos desenvolver o relacionamento intra-religioso umbandista? Acreditamos que é vivável pela interação das Escolas Umbandistas que invariavelmente são construídas pela troca salutar de experiências entre sacerdotes e sacerdotisas de diversos terreiros.


Uma prova desta interação foi o I Congresso de Umbanda do Século XXI onde Mãe Monica Varela, reconhecida sacerdotisa que preside a FEUCAMT, falou para os congressistas da importância de trocar o Poder pelo Saber. Este conceito magistral só foi possível ser ouvido, pois existia uma disposição dos dirigentes espirituais presentes em exercitar o diálogo intra-religioso. Recordo-me que após o marcante discurso de Mãe Monica Varela, Pai Rivas fez questão de registrar que a idéia trazida pela Mãe Espiritual seria eternizada nos Anais do Congresso.


Outra demonstração clara de diálogo entre Escolas foi dada por Mãe Nazareth, dirigente do Templo de Estudos e Desenvolvimento de Umbanda Iansã e Cacique Tupinambá. Em uma palestra pública no início do ano, esta importante Sacerdotisa reforçou a necessidade de cada Escola Umbandista enviar um representante, independente da condição sacerdotal, para cursar a FTU visando possibilitar que cada terreiro possua um teólogo umbandista. Desta forma, segundo Ela, existiria um canal mais eficiente entre os terreiros de Umbanda e a Sociedade Civil.


Esta idéia permite desdobramentos maravilhosos. A existência de umbandistas de diferentes terreiros aprofundaria a qualidade da FTU, uma vez que a faculdade possui uma proposta dialética entre corpo docente e discente. Além disso, reconhecemos que esta iniciativa produziria no Movimento Umbandista um avanço real no diálogo intra-reliogioso, pois fortaleceria a FTU como ponto de encontro e convergência dos diversos templos-terreiros do nosso rincão brasileiro.


Neste mesmo direcionamento destacamos a conversa entre Pai Rivas, reitor da FTU, e Pai Cássio de Ogum, presidente da FUCABRAD e vice-presidente do CONUB, onde este último afirmou para o primeiro que recomenda a faculdade porque ela possui um curso de altíssimo nível.


O diálogo intra-religioso é um meio real para a união do movimento umbandista. Os sacerdotes e sacerdotisas supracitados demonstraram como podemos avançar nesta importantíssima ferramenta. Sabemos que a faculdade está com as inscrições abertas para o II Congresso de Umbanda do Século XXI e nesta ocasião você poderá contribuir diretamente com a Umbanda por meio de uma consistente discussão nacional. Já pensou nisto? Vale a pena...


E deixa a Gira girar!

domingo, 26 de julho de 2009

Umbanda é uma idéia que se expressa em diversas linguagens


O Movimento Umbandista é uma Unidade Aberta em contínua construção. Dentro deste conceito, reconhecemos a existência de uma enormidade de ritos conduzidos por uma diversidade de Escolas Umbandistas. Lembrando que Escolas são formas de entender e praticar a Umbanda.

Observando na forma características muito diferentes entre as Escolas, alguns poderiam perguntar o porquê de todas serem igualmente reconhecidas como uma forma legítima de Umbanda. Afinal, o que nos une em torno da idéia Umbanda?

Pai Rivas afirma que "apesar do aspecto mosaico que esse movimento adquiriu durante sua formação, pouco a pouco, sua real função foi-se delineando a partir da constatação de que alguns conceitos passaram a se apresentar de forma universal em todos os segmentos da Umbanda"*. Sim meus irmãos. Apesar de diversidade da forma, existe uma essência que é una. Mais a frente do texto transcrito por nós, o autor demonstra quais seriam alguns destes conceitos comuns a totalidade de Escolas: Culto às Potestades Divinas sob o nome de Orixás; Louvação aos Ancestrais que se manifestam através de formas específicas na Umbanda; Doutrina da Reencarnação; Ligação Sagrada com a Natureza e seus Espíritos, entre outros.

São estes conjuntos de conhecimentos que constituem a interdependência das Escolas Umbandistas. É esta Essência que mantém viva a idéia Umbanda em cada uma de suas linguagens que são as próprias Escolas. Por outro lado, a variedade de expressão destas idéias em comum, permite que o Movimento Umbandista abarque em si não só todas as etnias que fazem parte da Raça Planetária como também não excluem nenhuma camada social da mesma.

Todos têm voz e vez no Movimento Umbandista. Por isso mesmo, não podemos aceitar cursos de finais de semana que privilegiam uma visão sobre todas as demais. Em contrapartida precisamos reforçar todas as nobres iniciativas que buscam valorizar a diversidade e promover a aproximação das Escolas de Umbanda. Que venha o II Congresso de Umbanda do Século XXI!

* Extraído dos Excertos Finais do livro "Sacerdote, Mago e Médico – Cura e Autocura Umbandista". Pág. 450 . Ed. 2003. Publicado pela Ícone Editora.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Movimento Umbandista e as etnias que a construíram


Em nossos textos reforçamos a importância de construirmos bens socializáveis que contemplem todas as Escolas sem privilegiar uma visão sobre as demais (etnocentrismo). Este raciocínio é um desdobramento natural da própria história do Movimento Umbandista e como a Escola de Síntese exemplificou a relação Universalidade e Diversidade dentro do templo.

O Movimento Umbandista possui caráter filosófico e religioso que carrega a valência de todas as raças e suas respectivas vivências com o Sagrado. Desta forma, as várias heranças étnicas são expressas em seu seio pacificamente. Sem guerras ou confrontamentos. Por ser uma Unidade Aberta, logo sem conceitos engessados, o Movimento Umbandista conseguiu traduzir em uma enormidade de ritos as inúmeras contribuições das quatro etnias: Vermelha, Amarela, Negra e Branca.

A Escola de Síntese, aprofundando-se na teoria e prática, instituiu no início deste novo milênio a realização de 7 ritos que encerram em si uma amostragem fidedigna da realidade umbandista. Para cada rito em questão existe um conjunto de cultos e expressões religiosas dentro da Umbanda que se afinizam com o mesmo. Assim, a Escola de Síntese contempla todas as Escolas mostrando seus profundos imbricamentos, sem solução de continuidade.

Ao contrário de querer prevalecer uma forma única de Umbanda, suas iniciativas consolidadas na Faculdade de Teologia Umbandista e, mais recentemente, no Centro de Cultura Viva das Tradições Afro-brasileiras apresentam ao Movimento Umbandista e a sociedade civil como um todo, uma forma mais justa e igualitária de tolerar, respeitar e, principalmente, viver pacificamente as diferenças inerentes as características plurais da humanidade.

Nesta abordagem, a identidade umbandista é enxergada como exemplo vivo e fundamental para alcançarmos a tão propalada Paz Mundial, passando pelos seus vários níveis de diálogo.

Observação. Todo o texto foi baseado em dois excertos do livro "Sacerdote, Mago e Médico – Cura e Autocura Umbandista" encontrados respectivamente nas páginas 449 e 463 da edição de 2003 publicado pela Ícone Editora.

domingo, 12 de julho de 2009

Cursos exclusivistas prejudicam a diversidade umbandista


O conceito de Escolas realmente estimula uma visão muito mais pacifista e convergente da diversidade umbandista. Neste sentido, entender Escolas como formas de interpretar e manifestar o Sagrado é respeitar esta tão propalada pluralidade, pois ficam estabelecidos relacionamentos harmoniosos com o outro (alteridade).

Aqueles que pensam que seus grupos estão em um patamar maior, ou melhor, imputam uma visão exclusivista. A pluralidade é trocada pela singularidade. Deixamos de ser unos e passamos a estarmos únicos. Normalmente estes grupos traduzem estas visões distorcidas da Umbanda como um todo em cursos para a comunidade, mas prevalecendo uma forma única sobre as demais. Para este tipo de curso, mesmo que fosse gratuito, o prejuízo à união do nosso movimento religioso é evidente.

Academicamente sabemos que quanto maior a extensão, menor será a profundidade. Ou, analogicamente, quanto maior a escala do mapa, mais espaço eu enxergo com menor especificidade. O inverso é verdadeiro. Quanto menor a escala de um mapa, maiores detalhes da região são coletadas. Dado este conceito, fica fácil entender que esta profusão de cursos oferecidos por aí com uma carga horária pequena pouco ou quase nada conseguem passar mesmo dentro de um escopo exclusivista. A questão sai do aprendizado e entra no clientelismo. Sai o foco da informação da qualidade e preza-se pela quantidade de pessoas que farão o curso.

Pior do que estes cursos são os cultos pagos. Sim meus irmãos, existem pessoas que estão divulgando cultos "umbandistas" cobrando ingresso, como se fosse um show ou teatro.

Para estes não basta utilizarem o rótulo "Umbanda". Querem utilizar o mote dela. Por isso, afirmam em um curso específico de um grupo que o mesmo será dado em caráter universalista e panorâmico. Já comentamos isto, mas o que era para ser vivido dentro do terreiro e discutido com outras Escolas passa a ser visto como uma relação clientelista. Quer aprender sobre um assunto específico? Não precisa bater cabeça no congá, basta colocar a assinatura em um cheque.

Estes grupos andam mudando subitamente de opinião. Até ontem achavam a idéia da Umbanda produzir conteúdo acadêmico e respeitoso com a diversidade equivocado. Agora falam como se possuíssem a primazia. Longe estamos de disputar quem falou ou quem pensou primeiro. Para nós, as boas idéias vêm de Aruanda e ponto. Cabe a nós, filhos de fé do terreiro exercitá-las no dia-a-dia.

Felizmente existem casas espirituais espalhadas pelo mundo que não se deixam levar por esta propaganda vazia. O que vale para esses inúmeros cavalos de Umbanda é fazer valer a vontade do Caboclo, do Pai-Velho, da Criança, do Boiadeiro, do Baiano, do Marinheiro, do Exu, do Cigano, enfim do Ancestral Ilustre. Neste sentido, o Astral orientou a construção de uma faculdade que possua em seu bojo não só o respeito, mas principalmente a vivência da diversidade. Para estes irmãos abnegados damos o nosso Paó e rogamos aos Orixás que as construções socializáveis e inclusivas continuem!