Aranauan, Saravá, Axé,
Yabauara (João Luiz Carneiro)
Discípulo de Mestre Arhapiagha (Pai Rivas)
Blog voltado para exposição de idéias sobre o movimento umbandista e sua influência na sociedade.
Qual a opinião da teologia afro-brasileira sobre ciência cognitiva?
Aranauan, Saravá, Axé,
Entre 29 a 31 de outubro de 2013 ocorrerá o I Simpósio Internacional da Associação Brasileira de História das Religiões (ABHR) / I Simpósio Regional Sudeste na Universidade de São Paulo (USP). Dentre os Grupos de Trabalhos selecionados para o evento, foi aprovada uma proposta da FTU trabalhada a partir do conceito trazido pelo Pai Rivas. Tal grupo foi intitulado:
GT 6 – Escolas das religiões afro-brasileiras e diálogos
Esse grupo é coordenado por professores da FTU e todos foram alunos formados pela mesma instituição. São eles, João Luiz Carneiro. Doutorando em CRE (PUC-SP), Msc em Filosofia (UGF-RJ) e especialista em Teologia Afro-brasileira (FTU); Érica Jorge. Mestra em Ciências Sociais (UFABC) e teóloga pela FTU. ; e Maria Elise Rivas. Mestranda em CRE (PUC-SP) e teóloga (FTU).
Ficamos muito felizes também com os bons auspícios do destino. Afinal, "6" no Merindilogun fala o odu Obará que no jogo de ifá é número 7. :D
Encontramos-nos na USP! Axé!
De 29 a 31 de outubro de 2013 ocorrerá o I Simpósio Internacional da Associação Brasileira de História das Religiões (ABHR) / I Simpósio Regional Sudeste na Universidade de São Paulo (USP). Dentre os Grupos de Trabalhos selecionados para o evento, foi aprovada nossa proposta:
GT 6 – Escolas das religiões afro-brasileiras e diálogos
João Luiz Carneiro. Doutorando em CRE (PUC-SP) e Msc em Filosofia (UGF-RJ). Contato: joaocarneiro@ftu.edu.br
Érica Jorge. Mestra em Ciências Sociais (UFABC) e teóloga pela FTU. Contato: ericafcj@gmail.com
Comentadora: Maria Elise Rivas. Mestranda em CRE (PUC-SP) e teóloga (FTU). Bolsista Capes. Contato: maria.eliserivas@gmail.com
Os interessados podem enviar sua proposta de trabalho (comunicação oral ou pôster) até o dia 20 de junho conforme as regras do evento.
ABHR: http://www.sudesteabhr.net.br
§ Envio da ficha de inscrição até 20 de junho ao email sudeste2013@gmail.com.
§ Envio do resumo até 20 de junho ao(s) contato(s) eletrônico(s) dos/as coordenadores/as do GT escolhido joaocarneiro@ftu.edu.br e ericafcj@gmail.com, com cópia para sudeste2013@gmail.com.
Normas de edição de resumos
§ Título da Comunicação centralizado, em negrito e com letras minúsculas.
§ Nome do/a autor/a centralizado. Acompanhado de nota de rodapé com: Titulação e filiação acadêmica. Possível vinculação com agência de fomento. Possível vinculação com grupo de pesquisa. Nome do/a orientador/a do trabalho, se houver. Endereço eletrônico.
§ Resumo: Entre 500 e 1000 caracteres com espaço, incluindo delimitação do tema e objetivos – Fonte Times New Roman, 12, espaço 1,5, justificado.
§ Palavras-chave: de três a cinco, separadas por ponto e vírgula.
Aranauan, Saravá, Axé
Muito bom saber que teremos rito externo tanto na quarta quanto na sexta. Quinzenalmente, Pai Rivas está subindo para São Paulo conduzir as giras, lembrando que diariamente fica em Itanhaém, "terra da pedra que canta e encanta"no Ilê Funfun Awo Oxôogun para realizar atendimentos diários aos seus filhos espirituais, moradores locais e pessoas que confiam Nele e na Casa Branca da Cura e do Destino.
Afinal a Casa Branca, verdadeiro "hospital" dos Orixás, trata as doenças e os doentes em todos os níveis: natural, sobrenatural e também social. A proximidade com o mar, os fundamentos lá firmados, expressam uma serenidade que só pode propiciar cura quando tocada pelas mãos de um Babalawo. Esses atendimentos individuais diários só cessam uma vez por mês quando temos o rito público em Itanhaém, aberto a todos.
"A fila andou", diria Pai Rivas. Novos tempos, novos fundamentos – nas palavras do Caboclo 7 Espadas – e o trabalho só aumenta de forma espiralar! Círculos que se repetem em ângulos cada vez mais profundos. Natural para quem conhece Pai Rivas e sabe o quanto isto expressa sua essência: trabalho, trabalho, trabalho.
Acho muito importante registrar que as atividades na FTU conduzidas por Ele continuam e foram ampliadas agora com outra as atividades sacerdotais em Itanhaém. A verdade sendo dita de forma clara é sempre importante, pois elimina equívocos de qualquer natureza. Axé!
Aranauan, Saravá, Axé!
Por que você fica tanto tempo no terreiro? Seu pai/mãe de santo é mais importante do que eu? O que você faz com essas guias no pescoço? Você não acha sua postura fanática?
Essas são algumas perguntas, talvez todas elas, que o adepto da vida religiosa afro-brasileira precisou responder pelo menos uma vez. Pai Rivas, em seu vídeo publicado neste link http://sacerdotemedico.blogspot.com.br/2013/06/religioes-afro-brasileiras-iniciacao-e.html, coloca de forma clara os motivos, as premissas, as consequências que estas perguntas estimulam.
Tal certeza se deve ao fato de nosso Mestre apresentar nos vídeos anteriores pontos sobre epistemologia e doutrina das religiões afro-brasileiras. Agora, expõe elementos da ética que norteiam o estilo de vida do povo de santo. As religiões afro-brasileiras, por meio da Iniciação, permitem um autoconhecimento e uma percepção ampliada do seu adepto. Ao realizar tal processo, compreende que interessa muito mais o que ele é e não do que ele precisa parecer que tem. Naturalmente se afasta de hábitos e costumes que massificam, que homogeneízam o povo como massa de manobra.
Assim surge o preconceito contra o povo de santo. Sim, somos preconceituados por sermos negros, mestiços, analfabetos, por sermos pobres... Mas no fundo é porque agimos de forma diferente, não aceitamos e repetimos como papagaios os valores que são comercializados no mundo. Pois se não bastasse o capitalismo selvagem comercializar bens e serviços, o desejo, os sentimentos e até a religiosidade tornaram-se alvos da indústria mercadológica.
A Iniciação nas religiões afro-brasileiras, portanto, apresenta-se como verdadeiro antídoto à filosofia das massas. Dentro da camarinha, ao fazer uma amacy, ao avançar por quaisquer das etapas de uma vida iniciática, despertamos para o mundo. Nossas escolhas são mais claras e, naturalmente, não seguem o status quo. Sentimo-nos melhores por isso, em última instância, ritualizamos a teologia da felicidade.
Claro que existem problemas que surgem no seio das religiões afro-brasileiras. As pessoas que frequentam os nossos terreiros estão na sociedade. Portanto, não é incomum verificarmos que alguns preferem a manutenção da moral vigente ao estilo de vida da sua casa de iniciação. Isso acontece em todas as Escolas. Natural, todos os terreiros estão de portas abertas para o povo, sem distinções. Sendo assim, surgem vez ou outra alguns que tentam transformar uma linguagem religiosa como melhor que as demais. Querem repercutir dentro do povo de santo a filosofia das massas, homogeneizar todos para serem a elite. Não podemos olvidar os fatos.
Mas a Iniciação, elemento central, trabalha o individuo sem esquecer o coletivo. Somos interdependentes e ritualizamos isto. Logo, voltamos para a sociedade e fazemos a diferença na medida exata que nossa maturidade espiritual permite. Aos Babalawos, a sociedade como um todo, aos neófitos os núcleos familiar e profissional. Todos têm lugar e função.
Não é difícil depreender que mais do que falar ou repetir padrões, que só reflete uma zona de conforto, cabe ao adepto das religiões afro-brasileiras ser o mesmo dentro e fora do terreiro, mudar o mundo porque – de fato – mudou a si mesmo: de dentro para fora, respeitando as diferenças sempre. E deixa a Gira girar!
Aranauan, Saravá, Axé,
Em sua última publicação "Religiões afro-brasileiras - Filosofia das massas e preconceito" (http://sacerdotemedico.blogspot.com.br/2013/06/religioes-afro-brasileiras-filosofia.html), Pai Rivas discute as relações de poder que vão de uma ponta a outra, ou seja, tanto no caso da copa quando o estádio dos populares se transforma em "arena" moderna das elites; quanto ao pensamento político que faz da filosofia liberal o pilar central de uma filosofia das massas.
Este modus operandi atual, que em essência continua bebendo das mesmas chagas espirituais e sociais, cria roupagens simbólicas, caso da tecnologia, para impor uma ideologia simples e nefasta: exclusão. Sim, esse preconceito que marginaliza, é direcionado aos negros, índios, mestiços, gays, adeptos das religiões de transe, mas no fundo o pobre é o ponto comum. Dito de outra forma, o câncer para as elites de nossa sociedade são expressas naqueles que não podem atender aos anseios de um consumismo desenfreado. Portanto, para resolver, basta eliminá-lo (sic). É isso que os estádios, ou melhor as "arenas" (as mesmas que no passado significavam o ópio do povo, que recebiam lutas entre gladiadores), acabam consolidando com seus preços impeditivos. O mesmo acontece quando queremos acessar saúde e educação. Só quem tem poder aquisitivo consegue usufruir de tais itens essenciais com qualidade.
E onde entra o povo de santo nisso? Fazemos parte desta mesma sociedade. Nossas atitudes e comportamentos são influenciados e influenciam o todo. Segundo, porque ritualizamos o viver coletivo. Essa vida em comunidade nos leva a cada vez mais equilibrar público e privado, individual e social, sempre calcado na ética dos Orixás que se apresenta como uma contra-cultura, logo indo de encontro ao status quo.
O terceiro, e não menos importante, são as ações que exercitamos dentro do ambiente religioso afro-brasileiro. Enfrentamos o preconceito endógeno e exógeno. Lutamos contra esse "embranquecimento" das Religiões Afro-brasileiras, porque sabemos que nossa fé não tem cor ou etnia. Nossa crença aceita a todos. Apresentamos nosso estilo de vida para a sociedade, seja pela academia, seja pelo terreiro, sem homogeneizar ou hegemonizar. Não somos melhores, nem piores, somos apenas diferentes. Natural rechaçar qualquer carta que queira codificar o povo de santo. Se aprendemos isso dentro do terreiro, podemos fazer militância fora dele. Sem querer "europeizar" o Brasil, sem querer impor um código de conduta ao nosso jeito de ser brasileiro. Sermos o que somos. Simples assim.
Essas ideias extraídas do blog de Pai Rivas que permitiram as minhas breves palavras, levam a admitir que isso é verdadeiramente fazer política. Não no sentido partidário, de obter cargo ou função política. Para Ele, não é necessário parecer político, mas sim ser político. Sua atuação como pai de santo com décadas de casa aberta e ação em favor de todas as religiões afro-brasileiras demonstra de forma indelével que um filá de Babalawô pode fazer muito mais do que um mandato político.... E deixa a Gira girar!