Yabauara (João Luiz Carneiro)
Discípulo de Mestre Arhapiagha (Pai Rivas)
Blog voltado para exposição de idéias sobre o movimento umbandista e sua influência na sociedade.
As Escolas Umbandistas se relacionam de maneira muito interessante com a Tradição e a Inovação. É um conceito tradicional, pois retrata com clareza as diferentes formas de compreender e praticar as Religiões Afro-brasileiras ao longo do tempo. Ao mesmo tempo é inovador, na justa medida que consegue resolver questões que giravam em um ciclo vicioso no movimento umbandista: “Qual a melhor Umbanda?” “Qual a Umbanda Verdadeira?”.
Estas perguntas só faziam sentido se a codificação expressasse a solução. Esta alternativa perdeu força até mesmo entre aqueles que eram seus ferrenhos defensores porque "esqueceram" de combinar isto com todos os terreiros de Umbanda e, principalmente, como os Guias espirituais. O raciocínio é simples e não menos importante: Se a codificação é uma necessidade de “cima para baixo”, por que as entidades ainda não a concretizaram?
Voltemos às Escolas Umbandistas. Os Senhores da Aruanda estabeleceram no movimento umbandista uma forma, nas palavras de Pai Rivas, inteligente e espiritualizada de se bem viver. Considerando que todas as Escolas são boas e válidas, podemos caminhar com a certeza de que apesar do método ser diferente o objetivo é único: o (Re)Encontro com o Sagrado. Logo, se todas as Umbandas são boas, podemos sentar e conversar. Podemos trocar conhecimento, enfim podemos dialogar.
A proposta trazida pelas entidades durante todo este tempo e tão bem expressa e vivenciada na idéia de Escolas Umbandistasvaticinada por Pai Rivas é um divisor de águas. Não por quem a professou, mas pelo o que ela representa e permite a todos nós umbandistas realizarmos em pleno século XXI. É uma idéia sinárquica que facilita o encontro de diversas correntes de pensamento, aceita a diversidade porque a compreende e reconhece sua importância no processo coletivo e espiritual, auxilia a alcançar a tão falada, mas raramente praticada, Paz Mundial.
Se a defesa de idéias como: descentralização do poder na Umbanda de um indivíduo para todos participantes da grande rede social e espiritual que são as Religiões Afro-brasileiras, diálogo, Paz Mundial, Amor e Sabedoria Cósmicos, Unidade na Diversidade é considerada por quem nos critica um ato “fundementalista”, no que pese existir um erro crasso de nominação dos mais básicos, eu aceito o rótulo sem problemas.
Estou mais preocupado com o que está por de trás do véu e quem pode me mostrar um caminho para alcançá-lo pelo exemplo. Graças aos Orixás encontrei um Mestre que tem Raiz com muitos frutos e tenho igual certeza que muitos irmãos de outros terreiros e escolas também encontraram. Como não sou pela codificação e vivo o conceito de Escolas posso reconhecer esta pluralidade e mais do que isso: Unir esforços para construirmos algo melhor para mim e para o próximo consubstanciado na Ética Umbandista.
Aranauan, Saravá Fraternal,
Yabauara (João Luiz Carneiro)






A vontade do umbandista em discutir temas que realmente importam e impactam diretamente na união do nosso movimento religioso é grande e, neste sentido, devemos reconhecer a importância das vídeo-aulas para este processo.
As vídeo-aulas produzidas pela FTU e disponibilizadas na web pelo sítio http://www.ftu.edu.br/videoaulas2009.php, fizeram com que muitos irmãos, umbandistas ou não, revisitassem seu corpo de conhecimento (epistemologia) e abrissem novas percepções revigoradas sobre o papel do movimento umbandista para a própria sociedade. Tudo isto de forma gratuita e dentro de um canal de comunicação que cada vez se socializa mais pelo mundo com baixo custo de acessibilidade, a internet.
Isto sem deixar de reconhecermos como a Ciência foi trabalhada e relacionada à Umbanda. Lembremos que em cada vídeo-aula, assistimos conceitos profundos das ciências exatas, humanas, sociais, biológicas, entre tantas outras, além da metafísica e seus desdobramentos míticos, místicos e cósmicos. Esta iniciativa que começou no mês de julho do ano passado e concluiu sua primeira fase no final de dezembro permitiu a real aproximação entre os Saberes Acadêmico e Religioso, contemplando também a Arte e a Filosofia.
Como isto foi construído? Com a vivência templária e sacerdotal de anos. Pai Rivas reitor e fundador da FTU, durante 4 décadas vem exercitando o Sagrado em harmonia com os 4 pilares da Gnose Humana (Religião, Arte, Filosofia e Ciência). Este contato de quase meio século com a coletividade umbandista e a sociedade como um todo culminou com a apresentação de uma Faculdade de Teologia Umbandista devidamente credenciada e autorizada pelo MEC. Por sua vez, dentro da faculdade todas as Escolas foram contempladas.
Vale lembrar que a FTU deixou evidente que as vídeo-aulas não representam todo o conhecimento que é elaborado na Faculdade e, muito menos, da Umbanda. Cada vídeo apresenta uma visão sumarizada do teor discutido por seus professores e alunos. Isto também se explica nas palavras ditas constantemente por Pai Rivas e reforçado por ele diversas vezes nas vídeo-aulas: "Não temos a última resposta, pois não temos a última pergunta".
Aliás, é exatamente por isso que a Umbanda é uma Unidade Aberta e em contínua construção. O conjunto de vídeo-aulas mostrou bem isto e foi importantíssimo para preparar um dos principais eventos de diálogo com a sociedade civil neste milênio: o I Congresso de Umbanda do Século XXI. Apesar dos problemas que o nosso planeta sofre hoje nos aspectos espirituais, culturais, sociais, políticos e econômicos, a Umbanda apresenta uma visão renovadora consubstanciada em bens sociais como as vídeo-aulas.
Façamos a nossa parte ao assistir e procurar exercitar dentro de nossos templos este farto material que representa por si só um curso de caráter panorâmico, abrangente e gratuito de fato. As vídeo-aulas apresentam idéias que procuram transformar a humanidade pela Educação.
